O cervo e eu.

Eu caminhava por entre as árvores.
De repente, um sopro incomum. O farfalhar das folhas. Um vento leve.
Frio na barriga.

Não estou sozinha”, foi pensamento breve.

Olhei para a direita: só a brisa, a floresta, as folhas.
Me virei e nossos olhos se encontraram.
Nos meus, medo. Nos dele, estranhamento.

Quem é você que ousa interromper meu jantar sagrado?

Sou floresta, como você. Um elemental, um animal com medo”, respondi com o olhar.

Ele assentiu e voltou os olhos para o chão em sua refeição.
Então passei, fui brisa, continuei.
Durante o resto do percurso refleti
sobre a conversa silenciosa que tivemos.
E quão intrusa me senti ao perturbar o jantar de um cervo.

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Nanah Soares

Nanah Soares

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